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Dia Nacional do Livro: mercado cresce e obras de MT ajudam a preservar histórias

Em um mercado cada vez mais conectado às telas, os livros continuam encontrando espaço entre os brasileiros. Seja no papel, nos dispositivos digitais ou em formato de áudio, a leitura acompanha mudanças nos hábitos de consumo e nas formas de contar histórias.

Neste Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29), os números do setor editorial mostram crescimento, enquanto dois lançamentos recentes em Mato Grosso revelam outra função das publicações: preservar memórias que poderiam se perder com o tempo.

Dados do Painel do Varejo de Livros no Brasil, elaborado pela Nielsen BookData e divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), mostram que o setor movimentou R$ 2,38 bilhões nas primeiras 36 semanas de 2026, com 44,7 milhões de exemplares vendidos. O resultado representa um crescimento de 11,9% no faturamento e de 8,7% no volume comercializado em comparação ao mesmo período de 2025.

Somente entre 10 de agosto e 6 de setembro, período mais recente considerado no levantamento, foram vendidos 4,6 milhões de livros, que renderam R$ 244,6 milhões. O faturamento cresceu 18,3% e a quantidade de exemplares comercializados avançou 16,1% em relação ao intervalo equivalente do ano anterior.

O levantamento considera vendas registradas em livrarias, lojas virtuais e outros estabelecimentos participantes. Os percentuais de crescimento são nominais, ou seja, não descontam a inflação.

Livro Primavera 40 anos de Eraldo Fortes. – Foto: arquivo pessoal

Leitura vai além do papel

Embora os livros impressos ainda concentrem a maior parte do mercado, os formatos digitais têm ampliado as possibilidades de acesso às obras. E-books, audiolivros, bibliotecas virtuais e serviços de assinatura passaram a integrar as diferentes formas de consumir literatura e conteúdos educacionais.

Segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do SNEL, o faturamento das editoras com conteúdo digital chegou a R$ 453,7 milhões em 2025, crescimento nominal de 10% em relação ao ano anterior. Descontada a inflação, a alta foi de 5,5%.

O conteúdo digital já corresponde a 9% do faturamento das editoras brasileiras. Entre os destaques estão as bibliotecas virtuais, que movimentaram cerca de R$ 225 milhões em 2025, e os serviços de assinatura, cujo faturamento cresceu 40% naquele ano.

As mudanças também alcançam os hábitos de leitura. Com os audiolivros, por exemplo, é possível acompanhar uma obra durante deslocamentos ou outras atividades cotidianas. Já as plataformas digitais permitem acessar diferentes títulos sem a necessidade de manter uma biblioteca física.

Livros preservam histórias de Mato Grosso

Enquanto o mercado editorial amplia seus formatos, publicações recentes em Mato Grosso mostram que os livros também permanecem como instrumentos de preservação da memória individual e coletiva.

Em Cuiabá, a professora aposentada Rosa Maria Jorge Persona, de 81 anos, lançou nessa segunda-feira (26), na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a autobiografia Viver, alfabetizar, contar – Traços de uma jornada, publicada pela Entrelinhas Editora.

A obra reúne lembranças familiares e experiências acumuladas ao longo de mais de cinco décadas dedicadas à educação, especialmente à alfabetização de crianças, jovens e adultos. A trajetória pessoal da autora se mistura às transformações vividas no ensino e na formação de professores.

Entre os episódios registrados está uma viagem pelo Rio Purus, no Amazonas, quando Rosa, mesmo sem saber nadar, utilizou embarcações para alcançar comunidades rurais durante sua atuação no Projeto Alfabetização Solidária.

Livros MT 2
Registro da professora aposentada Rosa Maria Jorge Persona em sala de aula – Foto: arquivo pessoal

A publicação também recupera histórias da infância, dos familiares e dos lugares por onde a professora passou. Parte dessa memória aparece até na composição visual do livro, que incorpora um bordado feito por sua mãe, Maria Aparecida Vicinança Jorge, conhecida como Mariinha.

Natural de Mococa (SP), Rosa iniciou a carreira na década de 1960, no Paraná, e posteriormente atuou em instituições de ensino e pesquisa de Mato Grosso, entre elas a UFMT e a Universidade de Cuiabá (Unic).

A proposta da autobiografia é registrar não apenas acontecimentos pessoais, mas também experiências pedagógicas que ajudam a compreender diferentes momentos da alfabetização no país.

Em Primavera do Leste, a cerca de 240 quilômetros de Cuiabá, outro lançamento segue o caminho da preservação histórica, desta vez com foco na memória de uma cidade.

Lançado na quarta-feira (28), o livro Primavera 40 anos reúne fotografias, documentos e depoimentos de pioneiros, trabalhadores, famílias e moradores que participaram da formação do município.

A publicação recupera acontecimentos ligados ao processo de ocupação da região, iniciado na década de 1970, e às transformações sociais, culturais e econômicas que acompanharam o crescimento de Primavera do Leste, emancipada em 13 de maio de 1986.

Com tiragem de 1.500 exemplares, a obra tem distribuição gratuita prevista para escolas, universidades, bibliotecas, instituições públicas e moradores. A iniciativa busca ampliar o acesso aos registros históricos, especialmente entre crianças e jovens que não acompanharam as primeiras décadas da cidade.

Os dois lançamentos apresentam perspectivas diferentes sobre a memória. Enquanto a autobiografia de Rosa Persona parte de experiências individuais para abordar a história da educação, Primavera 40 anos reúne relatos de diferentes moradores para documentar a formação de um município.

Por que 29 de outubro é o Dia Nacional do Livro?

A data foi escolhida em referência à fundação da Biblioteca Nacional, em 29 de outubro de 1810, no Rio de Janeiro. A instituição surgiu a partir do acervo da Real Biblioteca Portuguesa, trazido ao Brasil após a transferência da corte portuguesa.

Mais de dois séculos depois, a data também convida à reflexão sobre o acesso à leitura, a circulação do conhecimento e a preservação de histórias.

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