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Livro de Elize Matsunaga revela como viagem a passeio em MT abalou casamento e cita passagens curiosas

A biografia não autorizada de Elize Matsunaga, condenada em 2016 pelo assassinato e esquartejamento do marido Marcos Kitano Matsunaga ocorrido em 2012, trás com riqueza de detalhes a vida de ambos antes de se conheceram e após o crime.

Ao longo da obra de 383 páginas escrita pelo jornalista Ulisses Campbell, o estado de Mato Grosso é mencionado em cinco passagens de forma curiosa e até decisiva em momentos que narram a história do casal no início do relacionamento apaixonado, até o fim trágico na morte do empresário e a pena de 19 anos de prisão para a esposa.

Elize Araújo Matsunaga confessou ter assassinado com um tiro na cabeça o marido Marcos Kitano Matsunaga. – Foto: Reprodução

Antes de conhecer Elize, Marcos foi casado com outra mulher. Mesmo assim, tinha encontros extraconjugais recorrentes com amantes e garotas de programa. Uma delas, chegou a ser levada por ele para uma viagem em que o empresário visitou uma das fábricas da Yoki, na cidade de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso.

Conforme a passagem do livro de Ulisses Campbell, Marcos deixou a jovem hospedada em um hotel e seguiu para os compromissos profissionais sozinho. Quando se livrou do trabalho, ele levou a jovem para conhecer a cachoeira de Salto Belo, uma queda d’água de 45 metros de altura.

Segundo a obra, os dois passaram três dias na região feito casal em lua de mel. De lá seguiram para uma aventura no Pantanal, onde passaram por um susto.

Jacarés são predadores emblemáticos do Pantanal
Marcos Matsunaga teve câmera fotográfica abocanhada por jacaré em passeio no Pantanal, em Poconé. – Foto: Bruno Sartori

Marcos alugou um barco, contratou um guia e desceu no fim da tarde com a jovem pelo Rio Claro, no município de Poconé, a 105 quilômetros de Cuiabá. Ao chegarem a um trecho repleto de jacarés, o empresário pediu para o guia parar a lancha e desligar o motor.

Marcos começou a jogar diversos peixes na água para atrair os animais selvagens e filmá-los bem de perto. A garota congelou de medo quando se viu cercada pelos répteis.

Depois de jogar o último peixe na água, os bichos ficaram com cara de “quero mais”. Nessa hora, Marcos passou a filmá-los bem de pertinho. De repente, um deles tentou saltar para dentro do barco em busca de peixe.

Casal planeja viagem para tour selvagem em MT

Em outro capítulo do livro, Ulisses Campbell narra que o empresário, mesmo casado com a primeira esposa, já “namorava” Elize Araújo há 4 anos, após conhecê-la através de um site de encontros sexuais.

Elize e Marcos tinham muitos gostos em comum, entre eles, a obsessão por armas e caça, sonhando inclusive ir a Mato Grosso para um “safári” caçar animais. Nessa época, ele levou Elize para aprender a atirar em um clube de tiro em São Paulo.

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O casal Matsunaga fazia viagens e planejava safáris e passeios para caçar animais, ‘esporte’ preferido dos dois. – Foto: Reprodução

Ele já frequentava o local há 5 anos e tinha amplos conhecimentos sobre uso e manuseio de armas de fogo. Elize começou o curso com o básico do básico, desde introdução às peças, princípios de segurança e legislação de armas no Brasil.

Um mês depois já ganhou uma pistola Taurus 9mm de Marcos por R$ 5,5 mil. Já com aprendizado intermediário passou a treinar simulando situações realistas, com práticas de tiro, postura, agilidade e reflexo.

Sem trabalho e sendo sustentada por Marcos, ela passou a frequentar o stand de tiro diariamente, enquanto Marcos dava expediente na Yoki. Em seis meses ela acabou se tornando uma atiradora mais eficiente do que o empresário.

Marcos e Elize tem primeira crise no casamento em MT com descoberta de traição

Com Marcos divorciado da primeira esposa e já casado com Elize, os dois finalmente viajaram para a fábrica em Campo Novo do Parecis (MT). Elize nem sonhava que anos antes o marido havia feito viagem semelhante, mas com outra mulher.

O que ela não imaginava, é que seria naquele mesmo lugar que o casamento começaria a ruir.

Segundo o livro, Marcos aproveitou uma folga do trabalho para levar Elize conhecer as belezas naturais do município mato-grossense. Com ela, passearam de lancha por rios, pescaram e praticaram esportes radicais.

O casal fez rapel a 85 metros de altura na cachoeira de Santo Utiariti. Também escalaram as rochas de 20 metros no Chapadão do Parecis. Depois de um fim de semana inteiro de aventura, o casal voltou ao hotel de águas termais onde estavam hospedados.

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A cachoeira de Santo Utiariti, no município de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso. – Foto: Reprodução

À noite, Marcos abriu o computador para trabalhar e Elize recebeu de um funcionário do hotel as roupas lavadas. Uma calça jeans dela da grife Diesel foi entregue com manchas brancas feitas por uso equivocado de água sanitária.

Irritado, Marcos pegou a peça e foi até a recepção reclamar com o gerente. Enquanto isso, ela seguiu para o banho. Antes de ligar o chuveiro, porém, ela ouviu inúmeros sinais sonoros vindos do computador do marido, avisando a chegada de novas mensagens.

A princípio, ela não deu bola. Até que o interlocutor pediu insistentemente uma conexão por vídeo.

Curiosa, Elize saiu do banheiro, enrolou-se numa toalha, abriu o laptop e aceitou a chamada. Do outro lado estava uma secretária-executiva da Yoki do município de Marília (SP). Ao ver a cara da esposa do patrão na tela, a funcionária levou um susto e desligou.

Elize aproveitou que o computador do marido estava conectado com senha e leu as conversas dele com Claudinha no programa de bate-papo Windows Live Messenger. Começou a leitura desde o início para entender todo o contexto.

Para sua surpresa, os dois se falavam havia meses. No diálogo, havia troca de apelidos carinhosos e assuntos íntimos. Depois de ler tudo, Elize concluiu que os dois tinham marcado um date num hotel para dali uma semana em Marília.

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Já casados, o casal Matsunaga levava estilo de vida luxuoso com muitas viagens pelo Brasil e exterior. – Foto: Reprodução

Elize relia as mensagens quando o marido entrou no quarto e arrancou o computador do colo da esposa de forma abrupta. Houve uma discussão e ela chorou com a iminência de ser traída. Marcos jurou que o relacionamento era profissional.

Elize pediu para ler todas as mensagens no computador do marido para saber se ele se encontrava com outras melhores, mas a resposta foi negativa. Marcos pediu um voto de confiança. Em São Paulo as brigas continuaram.

Tempos depois, Elize, ainda desconfiada de incontáveis “reuniões de trabalho” até mais tarde do marido e viagens recorrentes à outras cidades e estados, passou a pensar em traições. Decidiu então contratar um detetive para seguir o marido.

Apartamento de Elize Matsunaga é anunciado por R$ 2,8 milhões. - Foto: Reprodução
Apartamento de Elize Matsunaga é anunciado a venda por R$ 2,8 milhões em 2026. – Foto: Reprodução

Em uma dos supostos compromissos de trabalho, Marcos foi flagrado em carinhos e beijos com uma amante em um dos restaurantes que costumava levar Elize, tendo inclusive presenteado a moça com o mesmo carro que deu a Elize anos antes: uma Pajero T4.

As fotografias e vídeos do flagrante foram o estopim. No último dia de vida de Marcos, em 19 de maio de 2012, no apartamento do casal na zona oeste de São Paulo, ele desceu para buscar uma pizza.

Imagens de câmera de segurança do elevador mostram o empresário irritado e chutando as paredes do espaço. Em seguida retorna com a pizza em mãos e sobe de volta ao apartamento. Estas são as últimas imagens dele com vida.

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O empresário Marcos Matsunaga, visto pela última vez com vida, em elevador. Na foto ao lado, Elize Matsunaga entra no elevador com malas em que estavam partes do corpo do marido. – Fotos: Reprodução

De volta ao apartamento, segundo Elize, ele se deparou com ela assistindo na televisão as imagens da traição. No relato dela aos investigadores de polícia e no processo, o casal teria iniciado uma discussão, seguida de uma correria pelo apartamento.

Em dado momento, ela sacou uma arma que estava em um móvel e atirou na cabeça do empresário. Horas depois, ela esquartejou o corpo em pedaços e os colocou em malas, abandonando-os em uma região de mata em Cotia (SP) dias depois.

Julgamento pelo crime tem recordação da primeira traição

Quatro anos depois, e ainda presa pelo crime, Elize foi julgada. Em 28 de novembro de 2016 iniciou a sessão do Tribunal do Júri, um dos mais longos de São Paulo, que durou sete dias, cuja repercussão foi considerada modesta na mídia nacional, já que outra tragédia chamada atenção da sociedade.

Na madrugada da data agendada para o primeiro dia de julgamento, o voo LaMia 2933, que partiu de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com a delegação da Chapecoense Futebol Clube rumo a Rionegro, na Colômbia, caiu em uma região montanhosa.

Ao todo 71 pessoas morreram no acidente, somente seis sobreviveram. Com isso, as notícias do julgamento de Elize tiveram pouco espaço nos noticiários, se comparado a quando o crime veio a tona.

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Elize Matsunaga durante julgamento realizado no Fórum Criminal da Barra Funda. – Foto: Mister Shadow/Asi/Estadão Conteúdo

Ao longo do julgamento, na qual quatro mulheres e três homens que compuseram o corpo de jurados definiram o destino de Elize, o juíz do caso Adilson Paukoski Simoni fez perguntas para a acusada.

Ao questionar quando exatamente o casamento passou a não dar certo, Elize foi incisiva na resposta ao magistrado.

Elize Matsunaga foi condenada a 19 anos, 11 meses e um dia de reclusão. Ela ficou presa na penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, no interior paulista.

Elize diz que se crime fosse premeditado teria matado esposo em MT

Já em 2021, a Netflix lança a série “Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime”. Em quatro episódios, o documentário traz depoimentos de pessoas ligadas ao casal, advogados, cenas do julgamento, bem como da reconstituição do crime, e o principal: a entrevista realizada com Elize.

No documentário, Elize falou sobre a sensação de ter atirado no marido e disse que não sabia o que a motivou a apertar o gatilho “Estava sentindo tanta coisa: medo, raiva, alívio de não estar louca”. Ela ainda aproveitou a oportunidade para reiterar que não havia premeditado o crime.

Elize Matsunaga foi solta em liberdade condicional em 30 de maio de 2022, após cumprir 10 anos de prisão. Atualmente ela trabalha como motorista de aplicativo e sonha em reencontrar a filha que teve com o empresário, cuja guarda ficou para os avós paternos.

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