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Inspirada na literatura, bordadeira de MS cria obras de arte

Entre os milhares de livros que circulam pela 10ª Feira Literária de Bonito (Flib), há histórias que também se contam em linha e agulha. É o caso dos trabalhos da jornalista e bordadeira Gabriela Junqueira, que transforma capas e personagens da literatura brasileira e regional em bordados feitos sobre aquarela.

O carro-chefe é justamente o livro do autor mais aguardado desta edição: em dois anos de trabalho, ela já bordou mais de 35 versões de “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior, sempre com as irmãs Bibiana e Belonísia no centro da cena.

Na Flib, em Bonito, a bordadeira Gabriela Junqueira transforma livros em arte – Foto: Lucas Oliver

“Por ser manual, eles já não saem iguais, e eu sempre faço alguma mudança para ter uma particularidade nos bordados”, explica a artista, para quem cada peça é única mesmo quando parte da mesma obra.

Tudo começou com Neruda

O bordado literário nasceu de uma viagem ao Chile, quando Gabriela visitou as casas do poeta Pablo Neruda, de quem é leitora apaixonada. Foi lá que ela conheceu a tradição chilena do bordado e voltou decidida a mudar o rumo de um hobby que até então guardava só para si. “Eu já bordava, mas somente para mim. Aí comecei a bordar a literatura regional e brasileira”, conta.

O processo de escolha das obras passa pela leitura. “Conforme eu vou fazendo, vou lendo os livros, eu vou me apaixonando pela literatura, pela história, pelo enredo, pela capa”, diz. A técnica que sustenta o trabalho é o ponto livre, que combina ponto corrente, trancinha e nó francês, quase sempre aplicados sobre uma base de aquarela pintada por ela mesma. O tempo de execução varia conforme a peça: um bordado em tule pode sair em três horas, enquanto os mais elaborados consomem de 48 a 80 horas de trabalho.

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“Resistência e revolução”

Questionada sobre por que escolheu a literatura como matéria-prima, a resposta vem sem hesitação. “A educação em si, a leitura, ela é transformadora. Trazer o bordado para dentro da literatura, e vice-versa, é uma forma de expressar o que a literatura representa para nós”, afirma. E o que ela representa para Gabriela? “Resistência e revolução.”

Bordado 2
Inspirada na literatura, bordadeira de MS cria obras de arte – Foto: Lucas Oliver

O pertencimento a Mato Grosso do Sul é outro fio que atravessa a obra. Além dos clássicos nacionais, a bordadeira dedica peças aos povos originários, à fauna e à flora do estado e a autores locais, com destaque para Manoel de Barros. “Ser sul-mato-grossense e não poder expressar a minha arte trazendo os povos originários, a fauna e a flora seria um conflito interno para mim. É um pertencimento poder bordar a literatura, a fauna, a flora e os povos originários”, resume.

Serviço

A 10ª Flib termina neste domingo (12), na Praça da Liberdade, em Bonito, com entrada gratuita. Nesta edição comemorativa, a feira homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor e editor douradense Luciano Serafim, falecido em 2025.



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