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Escritora de MS transforma uso de telas e preservação ambiental em aventuras infantis

O contato cada vez mais precoce das crianças com as telas e a necessidade de estimular, desde cedo, o cuidado com o meio ambiente inspirou a escritora sul-mato-grossense Cilene Queiroz a transformar esses desafios do cotidiano em histórias infantis.

As obras aproximam crianças de temas atuais sem abrir mão da fantasia, do afeto e da diversão | (Reprodução/Redes Sociais)

Os temas deram origem aos livros Cacau e o Sumiço do Videogame e A Águia Solidária e o Planeta Azul, que tratam dos assuntos de forma lúdica e acessível aos pequenos leitores.

Natural de Três Lagoas (MS), Cilene Queiroz transforma assuntos contemporâneos em histórias protagonizadas por crianças e animais. Em uma das obras, a narrativa propõe uma reflexão sobre o equilíbrio no uso da tecnologia e a importância das brincadeiras, da convivência e das experiências fora das telas. Na outra, apresenta aos pequenos leitores questões como queimadas, desmatamento, poluição e descarte de lixo na natureza.

A proposta é abordar esses assuntos sem transformar a leitura em uma aula ou em uma lista de regras. Por meio de aventuras, mistérios e personagens próximos do universo infantil, os livros estimulam as crianças a fazer perguntas, relacionar as histórias com o cotidiano e perceber que pequenas atitudes também podem fazer diferença.

“A literatura infantil permite conversar com a criança sobre assuntos importantes sem retirar dela a imaginação e o direito de brincar e se divertir. Quando uma história desperta uma reflexão, ela continua existindo na criança mesmo depois que o livro termina”, afirma Cilene.

Quando o videogame ocupa o lugar da brincadeira

Em Cacau e o Sumiço do Videogame, os irmãos Xico e Xaco passam cada vez mais tempo diante do aparelho, até que a cachorrinha Cacau decide interferir na situação.

Uma pinscher da cor do chocolate, esperta, brincalhona e muito ligada à família, Cacau usa seus latidos e travessuras para provocar uma verdadeira confusão. O misterioso desaparecimento do videogame leva os personagens a redescobrirem outras formas de diversão.

A narrativa parte de uma situação conhecida por muitas famílias para falar sobre o equilíbrio no uso da tecnologia durante a infância. Um levantamento realizado em 2025 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostra que 87% das crianças e dos adolescentes brasileiros com idades entre 9 e 17 anos acessam a internet. Entre os entrevistados, 28% afirmaram ter acessado a internet pela primeira vez até os 6 anos de idade.

“Nessa história, minha intenção é mostrar que é preciso encontrar equilíbrio. Nenhuma tela substitui o contato com outras crianças, a convivência com a família, as brincadeiras e a descoberta do mundo lá fora”, explica a escritora.

O livro mostra que os recursos digitais podem fazer parte da rotina, mas não devem substituir experiências importantes para o desenvolvimento infantil, como conversar, correr, criar, imaginar, brincar ao ar livre e conviver com outras pessoas.

Uma aventura em defesa do Planeta Azul

Em A Águia Solidária e o Planeta Azul, Cilene conduz os pequenos leitores por uma aventura entre céus, florestas, rios e mares.

A protagonista Sury é uma águia corajosa e solidária que parte em busca da origem de misteriosas gotas de água que caem sobre o planeta. Ao lado de Black, o pássaro-preto, e Pitoco, o porquinho, ela percorre diferentes paisagens e testemunha os impactos provocados pelas ações humanas.

Durante a jornada, os personagens encontram queimadas, desmatamento, poluição e lixo nos mares. No decorrer da história, descobrem que as gotas são, na verdade, lágrimas do Planeta Azul.

Na obra, os problemas ambientais são apresentados de maneira lúdica e afetiva. Além dos impactos causados à natureza, a narrativa trabalha valores como solidariedade, responsabilidade, cooperação e esperança.

“Quis mostrar às crianças que a natureza não é algo distante. Ela está ao nosso redor e precisa do nosso cuidado. Quando uma criança aprende a respeitar o meio ambiente, aumentam as possibilidades de que se torne um adulto mais consciente de suas responsabilidades”, destaca Cilene.

Em Mato Grosso do Sul, onde as crianças convivem com a biodiversidade do Cerrado, do Pantanal e da Mata Atlântica, a discussão ganha ainda mais proximidade. A preservação ambiental deixa de ser um assunto distante e passa a ser relacionada às paisagens, aos animais e às experiências que fazem parte da realidade local.

Leitura como ponto de partida para o diálogo

Os livros podem ser utilizados por famílias e escolas como ferramentas para iniciar conversas sobre tecnologia, brincadeiras, convivência, solidariedade, preservação ambiental e responsabilidade coletiva.

A leitura durante a infância contribui para ampliar o vocabulário, estimular a criatividade e desenvolver a capacidade de interpretar situações e sentimentos. Quando as narrativas dialogam com experiências vividas pelas crianças, também podem ajudá-las a compreender melhor o mundo ao redor.





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