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Contos de fadas: por que é importante adotá-los nas escolas?

Hoje, 2 de abril, comemora-se o Dia Internacional do Livro Infantil. A data é uma homenagem ao nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, em 1805. Um dos principais autores de contos de fadas da literatura mundial, Andersen é o nome por trás de clássicos como “A Pequena Sereia” e “O Patinho Feio”.  

Há mais de dois séculos suas histórias encantam gerações e mais gerações de pequenos leitores e servem como uma ferramenta importante, nas escolas e em casa, para ajudar a criança a entender o mundo, enfrentar as dificuldades do dia a dia e a lidar melhor com as próprias emoções e consigo mesma. 

Além de Andersen, que morreu em 1875, textos de Charles Perrault (1628-1703), dos irmãos Jacob (1785-1863) e Wilhem Grimm (1786-1859) e da dupla Madame de Villeneuve (1685-1755) e Madame de Beaumont (1711-1780) seguem ultrapassando as barreiras do tempo como peças-chave para compreender nossa humanidade. 

Os contos de fadas, também conhecidos como contos maravilhosos, são narrativas que circulam em culturas diversas desde tempos longínquos em que ainda não existia a escrita. A oralidade era o recurso para a transmissão e preservação de histórias, fatos e experiências memoráveis.

“O que chamamos hoje de contos de fadas são histórias populares medievais que sofreram adaptações na passagem da versão oral ao registro escrito. Houve um trabalho de suavização dos enredos com teor violento e político a fim de adequá-los à sensibilidade das crianças, que passaram a ocupar um novo papel na sociedade a partir do século XVIII”, explica Francisco Thiago Camêlo da Silva, docente da área de Literatura Infantil e Juvenil da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). 

Escritor dinamarquês Hans Christian Andersen
Dia Internacional do Livro Infantil celebra nascimento de Hans Christian Andersen • Thora Hallager/Wikimedia Commons

Contos de fadas como “Chapeuzinho Vermelho”, “João e Maria” e “Cinderela” são fundamentais para o desenvolvimento psíquico na infância e por isso são um recurso pedagógico comum nas escolas. Por meio da representação de embates entre personagens inocentes e frágeis com seres poderosos e malignos, essas narrativas abordam problemas emocionais, dramas subjetivos e questões da psiquê humana absorvidos pela criança de forma simbólica. 

A ficção ajuda a criança a lidar com medos, emoções tidas como negativas, perdas e até o receio de crescer ou de perder o amor dos pais. “Eis aí um dos principais papéis dos contos de fadas e de toda a literatura: promover o conhecimento de si no encontro com outro e com o mundo”, diz Francisco. 

Fantasias e brincadeiras 

Além de ouvir as narrativas e adotar os contos de fadas, incentivar as crianças a representá-los na escola – em cenas de teatro ou vestindo fantasias – também é importante. 

“As crianças ainda podem colocar a mão na massa e participar ativamente da escrita dos roteiros teatrais e da elaboração dos cenários e fantasias. Tais tipos de representação podem potencializar a estesia, ou seja, a capacidade de percepção das experiências e sentimentos humanos que se encontram encapsulados nos contos de fadas”, explica Paulo César Ribeiro Filho, também professor de Literatura Infantil e Juvenil na FFLCH-USP. 

Brincar com fantasias inspiradas em contos de fadas na escola estimula a percepção das experiências humanas • Freepik

O docente destaca que o conto de fadas, aliás, desponta como um dos únicos gêneros literários a obter êxito nos mais diversos suportes e formas artísticas: do livro impresso ao digital, as narrativas seguem atraindo leitores a partir de filmes, séries, musicais, peças de teatro, performances de dança, histórias em quadrinhos e jogos de videogame.

Versões originais dos clássicos

No ponto de vista de Paulo César, é mais interessante, entretanto, oferecer à criança o acesso aos livros de contos de fadas antes de suas adaptações para as telas – como as animações e os consequentes longas live action da Disney. 

Ele ainda chama a atenção para a relevância de se trabalhar com as versões originais dos clássicos (na linguagem conforme a faixa etária, obviamente) em vez de optar por reescrituras que eliminam elementos considerados tabus pelos adultos – como abandono, morte e fome, características comuns aos contos de Andersen, por exemplo. 

“Uma vez estabelecido um bom repertório literário, assistir a um filme ou a uma série adaptada de contos de fadas na companhia de uma criança pode tornar-se uma atividade prazerosa para todos os envolvidos, visto que haverá espaço para diálogos posteriores em que seja possível refletir sobre os possíveis ‘acertos’ e ‘erros’ da adaptação conforme o gosto ou a expectativa dos espectadores”, opina o especialista. 



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